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Leishmaniose – fatores socioambientais

Código de ética dos profissionais...

Papanicolau. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) o câncer de colo de útero é o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás somente do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Por ano, faz 4.800 vítimas fatais e apresenta 18.430 novos casos (INCA 2011).

O Brasil teve um grande avanço na capacidade de realizar diagnósticos precoces, pois na década de 1990, 70% dos casos encontrados eram do estágio mais agressivo da doença. Atualmente, 44% dos casos são de lesões localizadas do câncer (chamadas de in situ). Quanto mais prematuro for o diagnóstico mais adequado será o tratamento, e as chances de cura são de aproximadamente 100% dos casos (INCA, 2011).

Para um diagnóstico precoce basta que a mulher procure uma unidade de saúde no intuito de ser atendida pelo médico ou enfermeiro da unidade que farão a coleta do exame citopatológico que permitirá a identificação de lesões ou alterações cervicais. O exame é rápido e indolor. Após dois anos sem nenhuma alteração nos resultados a mulher pode esperar três anos para realizar um novo exame. Este intervalo deve ocorrer porque as células causadoras do câncer demoram se desenvolver e são facilmente descobertas. Desse modo, encontram a possibilidade de um método eficaz na descoberta precoce e de combate ao câncer de colo de útero (BRASIL, 2006).

No Brasil existem programas exclusivos para a atenção à saúde da mulher que se referem ao combate do câncer cérvico-uterino e de mama e a sua descoberta precoce, como o Programa Viva Mulher, Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e de Mama. Entretanto, mesmo com tantos esforços por parte de políticas de saúde observamos casos com diagnóstico tardio. (BRASIL, 2006).

Alguns fatores podem estar envolvidos a este tipo de evento, como a dificuldade e acessar os serviços de saúde por parte das mulheres, medo, baixa capacitação dos profissionais e do sistema público em comportar a demanda que chega às unidades de saúde e a dificuldade dos gestores tanto municipais como estaduais em decidir e determinar uma linha de cuidados que atinja todos os níveis de atenção à saúde, em todas as complexidades e em todo o tipo de atendimento, promovendo a saúde e a prevenção de problemas, até o diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. (BRASIL, 2006).

Embora a faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde esteja entre 25 e 60 anos, é de extrema importância ressaltar que muitas mulheres com idade superior devem realizar a coleta de citologia oncótica. Esse fato é explicado pela existência de mulheres idosas que podem ter um perfil gerador de risco para a doença. Desse modo, o profissional deve levar em conta a frequência de realização dos exames e também dos exames anteriores (BRASIL, 2006).

Quando nos referimos à visa reprodutiva feminina podemos observar que a mesma tem o inicio com a menarca e o termino com a menopausa, sendo ambos importantes para a fisiologia feminina. Destacamos que a vida reprodutiva da mulher possui um limite de tempo, mas não a sua vida sexual, por isso a mulher em climatério ou a menopausa devem possuir os mesmo cuidados destinados às mulheres mais jovens do que se diz a respeito à prevenção de doenças que possam atingir o aparelho genital. (COSTA et al, 2010)

Estudos recentes mostram que 74% dos homens e 56% das mulheres casadas mantêm uma vida sexual ativa após os 60 anos. A ideia de que o avançar da idade e a diminuição da atividade sexual esteja rigorosamente ligada pode ser um dos fatores responsáveis pela forma errada com que lidamos com a qualidade de vida nesta população (BERGER; MAILLOUX-POIRIER, 1995).

No estudo realizado em Pernambuco sobre a cobertura do teste de papanicolau e os fatores ligados a não realização do mesmo, os autores estudaram 258 mulheres, de 18 a 69 anos de idade, e encontraram diferença significativa na realização de exame citopatológico dentre as faixas etárias estudadas. Tal pesquisa evidenciou que as mulheres com idades inferiores há 25 anos e entre 60 e 69 anos apresentaram menor procura pelo exame ginecológico (ALBUQUERQUE et al, 2009).

Na pesquisa realizada por Costa et al (2010), foi verificado que as idosas de uma determinada casa de amparo, quando indagadas a respeito da realização do exame preventivo para o câncer de colo uterino revelaram nunca tê-lo realizado, acrescentando o não interesse em realizá-lo por motivos como falta de atividade sexual, vergonha e medo e a proximidade da morte que elas se encontram.(COSTA et al, 2010)

Este último motivo representou uma surpresa e um motivo especial de preocupação por parte das pesquisadoras visto que essas mulheres por não realizarem não apenas o exame preventivo, mas também outras ações de autocuidado, podem realmente prejudicar sua saúde e principalmente sua qualidade de vida. Algumas mulheres sugeriram que o exame preventivo só seria importante para as mulheres de vida promíscua. (COSTA et al,2010)

Fatores como idade avançada, o baixo nível socioeconômico, pertencer a determinados grupos étnicos, não ter cônjuge (solteiras, separadas ou viúvas) entre outros, tem sido apontados como fatores associados a não realização do exame papanicolau. (AMORIM, 2006)

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a esperança de vida da mulher aumentou muito, em 1980 era de apenas 65,69 anos, atualmente em 2011 é de 77,52 anos (IBGE, 2011).

Camargo (2010) realizou um estudo na saúde suplementar junto aos idosos atendidos por um programa de prevenção no município de Bebedouro, aplicou diversos instrumentos para identificação do perfil e das necessidades da população estudada. Nesta pesquisa foi possível identificar e explorar a questão da prevenção de quedas entre os idosos, assim como o perfil, hábitos de vida, meio onde o idoso vive, dentre outras informações, além disso, propôs atividades de intervenção para a qualidade de vida dos idosos.

Por meio da participação ativa neste estudo pudemos refletir sobre a importância da assistência preventiva na atenção a saúde da população idosa, em especial sobre a procura das mulheres pelo teste de papanicolau e frequência de realização do mesmo, uma vez que pouco se comenta sobre tal temática no meio acadêmico.

A inquietação sobre a adesão ao exame citopatológico entre as mulheres idosas atendidas por um convênio médico no município de Bebedouro tornou-se nosso objeto de estudo, que busca enfatizar a importância da realização do papanicolau após os 75 anos e fornecer subsídios para a atuação do profissional de enfermagem nas políticas públicas de prevenção e combate ao câncer de colo de útero.

Método
No primeiro momento trata-se de um Estudo Transversal que tem por objetivo coletar dados de um grupo ou população de indivíduos sobre diversas características que serão confrontadas em tabelas de eventualidades (GIOLO, 2011).

Foi realizado também um levantamento bibliográfico que consiste em uma pesquisa da bibliografia já existente sobre um assunto ou um autor especifica, segundo as descrições definidas pelo solicitante como idiomas, tipo de material, palavras chaves entre outros (MERCADANTE, 2006).

Este estudo faz parte de um grande projeto denominado ”Programa de Intervenção Para a Prevenção de Quedas Em Idosos”, realizado no município de Bebedouro que atendeu a um número expressivo de idosos e que teve como objetivo estudar o risco de quedas através da analise do perfil desses idosos com idade acima de 75 anos em relação aos aspectos bio-psico e sociais.

Investigando o grau de fragilidade e previsibilidade de agravos à saúde desta população e também verificar o grau de risco do cliente. Avaliando a ocorrência de evento de quedas e rastrear o risco através de fatores presentes e classificar os seus riscos.

O estudo foi realizado no município de Bebedouro, que possui localização geográfica privilegiada. Situada na região Norte do Estado de São Paulo, a 379 km da Capital, faz parte da microrregião da Serra de Jaboticabal e da mesorregião de Ribeirão Preto (BEBEDOURO, 2008).

A população deste estudo trata-se de idosos com idade igual ou maior que 75 anos, residentes da cidade de Bebedouro, usuários de um determinado plano de saúde que aceitaram receber visita domiciliar, com agendamento prévio por telefone e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O Projeto foi submetido à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa por parte do Centro Universitário UNIFAFIBE da cidade de Bebedouro-SP e aprovado de acordo com as normas regulamentadoras da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sob o protocolo nº 1094/2009.

A coleta de dados foi realizada de Setembro a Dezembro de 2010, através de visitas domiciliares previamente agendadas por telefone e realizadas por doze alunos estudantes do curso de graduação em enfermagem do Centro Universitário UNIFAFIBE, somente após autorização do cliente/paciente.

Para o desenvolvimento do projeto foram utilizados um conjunto de seis instrumentos se destacando o questionário de Avaliação do Perfil Sócio, Econômico, Cultural e de Saúde que serviu de base para as informações inseridas neste trabalho.

O instrumento é composto de perguntas simples com respostas de múltipla escolha, com o objetivo de traçar o perfil dos idosos maiores de 75 anos e seus cuidadores, identificando a sua situação socioeconômica, estrutura familiar, condições de saúde física, mental, grau de independência no dia-a-dia dos idosos, seu grau de contentamento em relação ao seu plano de assistência médica e a assistência prestada por ele.

Neste estudo enfatizamos as informações referentes ao perfil dos idosos e a adesão ao exame de papanicolau, assim como informações relevantes como realização da mamografia.

Os dados alcançados foram digitados e armazenados em um banco de dados em Excel®, após foi realizada uma análise sistemática dos dados coletados para identificação das relações e tendências. A estatística descritiva foi utilizada para descrição e síntese dos dados.

A análise dos dados baseia-se nas recomendações do Ministério da Saúde para a prevenção e detecção precoce do câncer de colo de útero.

Para complementar a análise dos dados obtidos, foi realizada a revisão da literatura que tem um papel muito importante no trabalho acadêmico, pois através dela se encontra um trabalho dentro da grande área de pesquisa da qual ela faz parte.

Resultados

Perfil dos idosos atendidos em um plano de saúde no município de Bebedouro – SP

Fizeram parte deste estudo 855 indivíduos abordados por meio de interrogatório domiciliar, sendo 270 homens (31,5%) e 585 mulheres (68,5%) com idade igual ou superior a 75 anos. Quanto ao estado civil 48% relataram serem viúvos, 43% casados, 7% solteiros e 2% divorciados.

Em relação ao número de pessoas que moram na mesma casa que esses idosos, 15% deles moram em famílias numerosas, sendo essas igual ou maior que 4 pessoas. Ao verificar o percentual de idosos casados (43%) encontramos que 48% moram apenas em 2 pessoas, ou seja, o casal. Destacamos ainda que 21% dos idosos moram sozinhos, mesmo estando em idade mais avançada que requer uma atenção e suporte especial.

Quanto às características sócias demográficas se destacaram os dados em relação à escolaridade 46,7 % dos entrevistados referiram ter o ensino fundamental completo. A baixa escolaridade também foi destaque, observamos que 29% dos idosos são analfabetos ou apenas sabem ler e escrever.

Quando questionados sobre hábitos como tabagismo e/ou etilismo foi verificado que a maioria dos idosos nunca fumou e nunca ingeriu bebida alcoólica.

Ao solicitar uma auto-avaliação de sua saúde a maioria dos entrevistados respondeu que considera sua saúde boa ou muito boa. Sobre a prática de exercícios físicos observamos uma população sedentária, sendo que 39% prática atividades físicas regularmente ou eventualmente.

Perfil das idosas atendidas por um plano de saúde no município de Bebedouro – SP e sua adesão ao teste de papanicolau

A população estudada foi composta por 585 mulheres (68,5%) com idade igual ou maior que 75 anos. Destas destacaram-se 48% viúvas.

No questionamento sobre a adesão ao papanicolau encontramos que 220 mulheres referiram estarem atrasadas com seus respectivos exames, isto é, não o realizam há mais de um ano. Dentre aquelas que realizam o exame anualmente verificamos uma população de 216 idosas.

Embora o foco do trabalho esteja concentrado na prevenção do câncer de colo de útero é importante destacar a adesão à mamografia, método utilizado para a detecção precoce do câncer de mama também preconizado pelo Ministério da Saúde como medida de cuidado com a saúde da mulher.

Logo, verificamos que 140 mulheres nunca se submeteram a mamografia e o percentual daquelas que nunca realizaram a mamografia ou estão em atraso com o exame foi muito parecido com relação aos dados de adesão ao papanicolau.

Quando buscamos confrontar os resultados de procura por exame preventivo separado por sexo visualizamos que os homens se sobressaem em relação às mulheres na procura por tais métodos.

De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde o papanicolau deve ser realizado até os 60 anos de idade, porém caso haja presença de fatores de risco ou sintomas sugestivos de câncer de colo do útero a coleta do exame deve ocorrer mesmo após os 60 anos.

Os exames preventivos realizados na população feminina tratam-se da mamografia e da coleta da citologia oncótica. No entanto, mesmo com a facilidade de acesso aos recursos  disponíveis, principalmente na saúde suplementar encontramos mulheres que nunca realizaram estes exames preventivos.

Neste estudo, verificamos que 23% das mulheres nunca realizaram o teste de papanicolau e 25% nunca se submeteu a mamografia.

Quando observamos a realização de exames preventivos na população masculina, que historicamente encara o exame de próstata como um tabu; percebemos que apenas 18% dos idosos abordados nunca realizaram este exame.

Discussão

O objetivo deste estudo foi verificar a prevalência da realização do Exame Papanicolau entre mulheres com 75 anos ou mais buscando fornecer subsídio para a equipe de enfermagem na construção de políticas públicas de saúde visando à prevenção do câncer de colo de útero.

De acordo com Costa et al (2010) a vida reprodutiva da mulher tem um limite de tempo, não sendo associada a sua vida sexual, devendo a mulher em menopausa ter os mesmos cuidados que as mulheres mais jovens em relação à prevenção de doenças que possam acometer a sua parte genital.

Neste sentindo, acreditamos que, quando nos referimos aos cuidados em relação à mulher, a limitação da idade ainda constante, pois o auto cuidado ainda é delimitado somente para algumas idades, principalmente dos 35 as 49 onde apresentam um pico maior de incidência para o câncer de colo uterino (SOARES et al, 2010) excluindo as mulheres de idade avançada, aumentando assim o índice de mortalidade por câncer entre as mulheres.

Sabe-se que o exame Papanicolau, além de permitir a detecção de lesões no colo uterino, é útil para verificar alterações compatíveis com a infecção pelo papilomavírus humano – HPV, reconhecido como um grande fator de risco para o desenvolvimento do câncer cervical (SILVEIRA et al, 2011).

Em relação ao perfil estudado, realizamos uma análise com mulheres com idade igual ou maior que 75 anos moradoras da cidade de Bebedouro – SP, em sua maioria viúva (48%) com o ensino fundamental completo (46,7%), características semelhantes ao encontrado no estudo de Costa et al (2010).

Costa et al (2010) destaca que as mulheres idosas que vivenciam a velhice na ausência de um companheiro, podem ter este fator como um dos determinantes para a sua qualidade de vida ou não.

Quanto à periodicidade do Exame Papanicolau, observamos que uma percentual de 38% realiza o exame anualmente, 39% está com o exame atrasado e 23 % nunca realizaram o mesmo, um valor quase semelhante ao encontrado por Costa et al (2010) que apresentou uma percentual de 21,7 de não realização do exame.

Em relação ao exame de mamografia e de papanicolau percebemos que há uma semelhança no percentual de mulheres que não se submeteram aos mesmos. Desta maneira, acreditamos que essa frequência é maior em mulheres que não realizaram outras práticas preventivas e de cuidados com a sua saúde, ressaltando o auto-exame das mamas que deve ser realizado independente da frequência da realização, o mesmo foi encontrado nos estudos de Amorim (2006).

Dentre os motivos relatados para a não realização do exame preventivo, encontramos entre os principais o fato de muitas destas mulheres não serem ativas sexualmente, Brenna et al (2001) em seus estudos relata que, por não estarem mais em idade fértil, tendem a deixar de realizar consultas ginecológicas se afastando das práticas de prevenção para o câncer de colo uterino no exato momento em que ela pode aparecer.

Não encontramos nenhum relato em relação à falta de tempo e sim em relação a dificuldades de deslocamento, pois grande parte dependia de certa de forma de filhos ou parentes mais próximos e também o estado de saúde atual dessa idosa, ressaltando que a cidade Bebedouro possui um número significativo de Unidades de Saúde Públicas em pontos estratégicos e com uma abrangência e suporte privilegiado.

Encontramos certa resistência no que se diz respeito à importância da realização do exame por parte das idosas em relação a hábitos antigos, o que dificulta a mudança de pensamento em relação ao seu autocuidado. A sociedade na qual estas mulheres vivenciaram o seu período de juventude as mantinham totalmente sem acesso aos estudos, visando somente o serviço doméstico (COSTA et al, 2010).

De acordo com INCA (2008) dentre as mulheres de idade mais avançada nota-se um desconhecimento das doenças sexualmente transmissíveis e a relação do HPV com o desenvolvimento da doença. Tal fato contraria os resultados desse estudo, pois a classe estudada apresentou em grande parte um conhecimento básico em relação às consequências da não realização do mesmo.

Segundo Costa et al (2010), o exame preventivo na rede básica de saúde no Brasil é realizado em sua maior parte durante a consulta de enfermagem para a atenção a saúde da mulher. A partir daí, é necessário discutir a forma pela qual essas consultas estão sendo realizadas e também a qualidade das informações passadas por elas.

Neste estudo, a importância do Papanicolau na terceira idade está relacionada à prevenção daquelas que nunca realizaram e ao controle daquelas que já o realizam. Os fatores para a não realização são basicamente relacionados a hábitos culturais e também ao medo.

Através desse fato, podemos considerar que apesar do Programa de Saúde do Homem ser pouco reconhecido por ser recente (seu lançamento aconteceu no ano de 2009), (principalmente na cidade de Bebedouro onde foi realizado o estudo) e a população masculina não ser tão ativa em relação aos cuidados com a saúde, mesmo assim eles estão se cuidando mais que as mulheres.

Outra questão que pode estar ligada a esses resultados é a quantidade de entrevistados casados, partindo pelo pressuposto que as suas cônjuges os estariam incentivando ou eles estarão acompanhando as mesmas em suas consultas ao médico e aproveitam a oportunidade para passarem por consulta também.

Desta forma fica evidente que mesmo numa população com acesso a saúde suplementar, que teoricamente ofereceria melhores condições e facilidade à prevenção em saúde, é necessário a intensificação de campanhas e mobilização dos usuários para incentivo da prática de exames preventivos. Faz-se necessário também que os enfermeiros atuantes nesta área estimulem o envolvimento das usuárias no autocuidado e a propagação de informações tão importantes para a saúde da mulher.

Considerações Finais 

Os resultados desses estudos permitiram concluir que a maioria dos idosos com idade igual ou maior de 75 anos na cidade de Bebedouro tem envelhecido de maneira saudável e tem se preocupado bastante com a sua saúde.

A população deste estudo contou com um total de 855 idosos, sendo o nosso público alvo 585 mulheres (68,5%), com destaque para as viúvas (48%), 46,7% relatou ter Ensino Fundamental Completo, com média de idade igual ou maior que 75 anos residentes na cidade de Bebedouro.

Constatamos que apesar do número de mulheres que realizaram o Exame Papanicolau serem significativos (38%), o índice de atrasos (39%) e de não realização (23%) ainda tem sido muito alto mediante ao grande número de informações disponibilizadas as mesmas, o que nos faz refletir em relação a como essas informações tem sido passadas e como estão sendo compreendidas.

Em contrapartida, em alguns casos, determinadas mulheres tinham total consciência dos riscos em relação ao atraso e da não realização do exame, já outras demonstraram certa resistência em relação ao assunto sendo caracterizadas por perfil de costumes mais antigos.

Verificamos em nossas entrevistas que a vergonha, idade avançada, dificuldades de locomoção e vida sexual inativa foram os principais fatores alegados para a não realização do Exame Papanicolau.

Neste estudo ficou claro que, apesar de todo o suporte que o município de Bebedouro tem oferecido para essas mulheres, ainda é necessária a criação de um trabalho voltado especificamente para elas, com uma linguagem clara e específica, visando o bem estar das mesmas.

Cabe ressaltar ainda a importância de treinar, reciclar e capacitar de forma contínua e permanente toda a equipe de enfermagem para que todos estejam conscientes e informados sobre as reais indicações e necessidades da coleta de papanicolau, oferecendo assim uma assistência humanizada e qualificada.

Referências

ALBUQUERQUE et al.Cobertura do teste de Papanicolau e fatores associados à não-realização: um olhar sobre o Programa de Prevenção do Câncer do Colo do Útero em Pernambuco, Brasil. Cad. Saúde Pública. vol.25. supl.2. Rio de Janeiro, 2009.

AMORIM,V.M.S.L. et al. Fatores Associados à Não Realização do Exame de Papanicolau: Um Estudo de Base Populacional no Município de Campinas ,São Paulo, Brasil, Cad. Saúde Pública, 22 (11), p 2329-2338, nov.2006.

BERGER, L.; MAILLOUX-POIRIER, D. Pessoas idosas: uma abordagem global. Lisboa, Lusodidacta, 1995.

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BEBEDOURO. Localização e Acesso. 2008. Disponível em: www.bebedouro.sp.gov.br. Acessado em: 23 ago. 2011 às 18:30.

BEBEDOURO. Bebedouro em Números. 2008. Disponível em: www.bebedouro.sp.gov.br. Acessado em: 23 ago. 2011 às 18:40.

CAMARGO, S.M.P.L.O. Programa de Intervenção para a Prevenção de Quedas em Idosos.Bebedouro,2010.

COSTA, C. C. et al. Realização de Exames de Prevenção do Câncer Cérvico-Uterino: Promovendo Saúde em Instituição Asilar.Rev. Rene. Fortaleza, v. 11, n.3, p.27-35,jul/set.2010.

INCA. Colo de Útero. Disponível em: www.inca.gov.br. acessado em 31.mar.2011 às 17:40.

IBGE. Projeção da população – Esperança de Vida – Mulheres.

MERCADANTE, M.T. Revisão da Literatura. Como Escrever Um Trabalho Cientifico. p77, 2006.

GIOLO, S.R. Pesquisas e Estatísticas/ Conceitos Estatísticos/ Estudos transversais ou cross-sectional.

SILVEIRA, C.F; MELO, M.M; RODRIGUES, L.R; PARREIRA, B.D.M. Conhecimento de Mulheres de 40 a 60 anos Sobre o Papillomavirus Humano. Rev Rene, Fortaleza, 2011 abr/jun; 12(2):309-15.

SOARES et al. Câncer de colo uterino: caracterização das mulheres em um município do Sul do Brasil. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. 2010. Jn-mar. 14(1):90-96.


Autores: Luisa Olhê; Rafaela Cristina de Oliveira; Rafaela Fukuda Campanelli; Lilian Donizete Pimenta Nogueira.



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